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Agência Minas Gerais | Cientistas mineiras representam 60% dos bolsistas da Fapemig nos últimos anos

Nesta quarta-feira (11/2), data em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, Minas Gerais tem a comemorar uma relevante atuação feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I).

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), já investiu mais de R$ 568 milhões em pesquisas coordenadas por mulheres, de 2021 a 2025.

As mulheres representaram, em média, 60% dos bolsistas Fapemig nos cinco últimos anos. Os dados são referentes a bolsas institucionais (de formação): iniciação científica e científica júnior, mestrado e doutorado. Em 2024, a fundação contava com 5.186 mulheres bolsistas cadastradas e 475 projetos sob coordenação feminina. Já em 2025, esses números aumentaram para 5.991 (+15%) bolsistas mulheres cadastradas e 523 projetos de chefias femininas.

“Mais que reconhecer a atuação feminina na ciência, o Governo de Minas tem investido no trabalho e na produção científica dessas mulheres. Esse é um papel essencial do Estado que ecoa nas gerações seguintes, em meninas que são capacitadas e inspiradas por essas mulheres, construindo um legado feminino na ciência”, afirma a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Mila Corrêa da Costa.

Inspiração

A Fapemig lançou, nos últimos anos, chamadas que buscavam fomentar a participação feminina nas áreas de C,T&I. É o caso do Ciência por Elas, lançada em 2023, que investiu R$ 17,9 milhões em 95 pesquisas coordenadas por mulheres.

Houve também a chamada para concessão de bolsas de iniciação científica em áreas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática), lançada em 2025, que incentivou a participação de estudantes em áreas que, historicamente, contam com maior presença masculina. Das 300 bolsas concedidas, mais da metade (160) foram destinadas a mulheres.

A participação das mulheres nos ambientes acadêmicos, científicos e tecnológicos não apenas reforça a capacidade e a qualidade da ciência feminina, mas também inspira as novas gerações. Elizângela Aparecida dos Santos é uma dessas mulheres.

Doutora em Economia Aplicada, docente e pesquisadora na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) – Campus Unaí, ela foi a vencedora do Prêmio Bunge 2025, na categoria Juventude.  A pesquisadora dedica seus trabalhos à análise dos impactos das mudanças climáticas na agricultura brasileira e, em sua jornada acadêmica, contou com o apoio da Fapemig.

“Receber esse reconhecimento ainda jovem, e sendo mulher, demonstra que a ciência é um espaço possível e necessário para todos, fortalecendo e incentivando as novas gerações de meninas e mulheres a ocuparem um espaço cada vez mais diverso e plural”, ressalta.

Financiamento que faz a diferença

A pós-doutora em fisiologia cardíaca, docente e pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Silvia Guatimosim, é outro exemplo de destaque na ciência mineira.

“Meu primeiro contato com a ciência foi através de uma bolsa de iniciação científica da Fapemig, assim como meu primeiro financiamento de pesquisa, recurso extremamente importante para a implementação do meu laboratório da linha de pesquisa de fisiologia cardíaca na UFMG”, destaca Silvia.

O financiamento possibilitou a implementação não apenas do laboratório, mas também da primeira linha de pesquisa em fisiologia cardíaca da UFMG e de Minas Gerais. Hoje, o laboratório é referência no Brasil e reconhecido internacionalmente. “É importante o reconhecimento do nosso trabalho, da nossa dedicação e da nossa competência, da mesma forma que é feito para os homens”, ressalta.

Para este ano, está previsto o lançamento de uma nova chamada Ciência por Elas, com estimativa de mais de R$ 15 milhões em investimentos.

“A Fapemig, como agência de fomento, entende que um de seus papéis é contribuir para a diminuição da desigualdade em termos de gênero, valorizando as mulheres dentro do contexto de ciência, tecnologia e inovação”, destaca assessora técnica de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Cynthia Barbosa.