A Rádio Nacional vai lançar, em 1º de junho, uma campanha que convida o público a reunir registros históricos ligados à trajetória da emissora e ao seu vínculo com a memória afetiva dos brasileiros. A iniciativa integra as ações pelos 90 anos de existência do veículo e foi apresentada nesta segunda-feira (18), durante o Encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que está sendo realizado no Rio de Janeiro (RJ).
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A campanha busca mobilizar ouvintes, ex-funcionários, colecionadores e o público em geral para compartilhar arquivos sonoros, gravações antigas, programas raros, vinhetas, entrevistas, trilhas, narrações históricas e outros conteúdos fonográficos relacionados à Rádio Nacional, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Fotografias, documentos e demais materiais também poderão ser enviados, desde que tenham relação direta com a Rádio Nacional.
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O material poderá integrar o acervo histórico da emissora, participar de uma exposição comemorativa e ter sua história destacada na programação especial dos 90 anos da Rádio Nacional.
O gerente-executivo de Rádios da EBC, Thiago Regotto, comenta que a memória e o acervo são alguns dos principais ativos nas celebrações pelos 90 anos da emissora. A partir desse entendimento, foram pensadas diversas ações nas áreas de produção, programação e digital, além da mobilização voltada à preservação do acervo.
“A proposta é preencher lacunas e contar a nossa história a partir dos registros que conseguirmos reunir. Trata-se de uma forma de preservar esse arquivo de maneira mais completa e de refletir, com a grandeza que ela merece, a trajetória dessa emissora tão importante para o Brasil”, afirma.
Com o chamado O que você guardou pode ajudar a contar a história da Nacional, a ação objetiva também ampliar o repertório coletivo sobre a emissora a partir de materiais preservados pelo público ao longo das últimas décadas.
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A proposta é identificar conteúdos que ajudem a contar a história da Rádio Nacional, emissora que acompanha gerações de brasileiros e esteve presente em diferentes momentos da vida cultural, esportiva e jornalística do país.
“Considero a campanha de resgate de registros históricos da Rádio Nacional um divisor de águas para o acervo gerido pela EBC. Ela integra materiais que, por razões adversas, foram guardados por terceiros com o intuito de proteger esse patrimônio. Esta é uma oportunidade de dividirmos com empregados e ouvintes a responsabilidade pela preservação do legado da Nacional — seja ela do Rio, de Brasília, da Amazônia ou do Alto Solimões, comenta a gerente de Acervo e Pesquisa da EBC, Maria Carnevale..
Na EBC, temos uma equipe técnica dedicada diariamente à guarda, preservação e difusão desse acervo, patrimônio nacional. Esta campanha simboliza a união de todos que acreditam no potencial da Rádio Nacional e lutam pela preservação de 90 anos de história.”
São exemplos de registros que podem ser enviados: a gravação de um programa que fazia companhia para você ou sua família, uma vinheta antiga, uma locução marcante, a narração de um gol histórico, fotografias, correspondências ou a voz de alguém que já partiu, mas que segue presente na lembrança. São áudios que continuam vivos a cada nova escuta e que podem ajudar a contar os 90 anos da Rádio Nacional.
Como participar
Primeiramente, deve ser enviado um e-mail para o endereço [email protected].
O participante receberá como resposta um formulário de intenção de doação em que serão solicitados nome completo, telefone, e-mail, relação com a Rádio Nacional, tipo de material, descrição do conteúdo, quantidade aproximada, estado de conservação, identificação de pessoas, datas e locais, formato físico ou digital e disponibilidade para doação definitiva.
Após essa etapa, a Gerência de Acervo e Pesquisa da EBC fará uma pré-triagem técnica para avaliar o recebimento do material.
Serão considerados critérios como valor histórico e institucional, autenticidade, relevância documental, relação direta com a Rádio Nacional, possibilidade de preservação, recorte temporal da campanha, duplicidade em relação a materiais já existentes e estado de conservação. Informações relacionadas ao procedimento de envio e/ou coleta do material serão fornecidas após a finalização da etapa de triagem.
Com a aprovação inicial, será realizado o agendamento para entrega física ou envio digital do material. Neste momento, o participante também poderá ser convidado a contar a história do registro por meio de gravação de áudio ou relato escrito. Para garantir segurança jurídica e transparência institucional, a doação será formalizada por meio da assinatura de um termo de doação.
Sobre os 90 anos da Rádio Nacional
A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. Começou a ganhar força em 1940, quando foi incorporada à União e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira.
Teve papel fundamental na transmissão de notícias para todo o território brasileiro com o Repórter Esso, apresentado pelo jornalista Heron Domingues e que se tornou sucesso de audiência. Na época, a emissora chegava a receber milhares de cartas por dia enviadas por ouvintes de todo país.
A música transformou-se em um capítulo à parte na história da Nacional. As apresentações eram realizadas por conjuntos diversos, incluindo orquestras da própria emissora. Em 1942, a Nacional inaugurou seu auditório, palco de atrações inesquecíveis sob o comando de estrelas do rádio como Paulo Gracindo e César de Alencar.
A Nacional ainda foi protagonista de uma virada histórica na comunicação ao inaugurar, em 1941, a era das radionovelas no Brasil com Em busca da felicidade. O país parava para ouvir a produção e os brasileiros se reuniam em torno do rádio com os corações atentos a cada capítulo. Se antes os ouvintes já acompanhavam narrativas do radioteatro, foi com essa atração que o formato ganhou nova dimensão e roupagem. O texto original do cubano Leandro Blanco, adaptado por Gilberto Martins, não apenas conquistou audiência, mas ajudou a consolidar uma cultura de consumo de dramaturgia que atravessaria gerações e encontraria, mais tarde, sua consagração definitiva também na televisão brasileira.
Em mais um marco de sua trajetória, a Rádio Nacional antecipou-se à própria história da nova capital federal. Quando Brasília ainda se erguia no cerrado, o rádio já fazia ecoar sua existência para todo o país.
Em 31 de maio de 1958, o presidente Juscelino Kubitschek inaugurava a Rádio Nacional de Brasília. A emissora operava em ondas médias e ondas curtas, permitindo com que os candangos que trabalhavam na construção da cidade se comunicassem com suas famílias residentes em outras regiões. Esse potencial abriria caminho para a expansão da rede, em 1977, com a estreia da Rádio Nacional da Amazônia.
Para celebrar esse legado e projetar a emissora para o futuro, desde o ano passado a EBC tem realizado diversas ações alusivas às nove décadas. Em 2025, foi lançado um selo comemorativo e uma nova identidade sonora que resgata suas raízes históricas.
A música Luar do Sertão, clássico que inaugurou as transmissões da Nacional na década de 30, ganhou uma versão modernizada que passou a embalar a identidade musical do veículo.
O encontro da RNCP acontece nesta semana no Rio de Janeiro com as emissoras parceiras de todo o país e também vai marcar o aniversário de 90 anos da Nacional. Ainda nesta semana, entre os dias 20 e 22, também no Rio de Janeiro (RJ), será realizado o 7º Simpósio Nacional do Rádio, em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, e neste ano terá como tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”.
Em 12 de junho, será lançada a série especial 90 anos em 90 histórias. A iniciativa resgata a trajetória da rádio por meio de entrevistas com personagens que ajudaram a construir sua relevância ao longo das décadas, como ex-dirigentes da EBC e da Radiobras, além de pesquisadores e funcionários. Ao todo, serão 90 episódios, com cerca de cinco minutos cada, reunindo material de acervo, pesquisa histórica e depoimentos. A proposta é criar uma linha do tempo sonora que percorre desde os anos 1930 até os dias atuais.
As celebrações também incluem o lançamento de um novo site da emissora e uma edição especial do Festival de Música da Rádio Nacional, que neste ano deve acontecer no Rio de Janeiro (RJ) e contar com apresentações de grandes nomes da cena artística nacional.
Ao longo da história, a Rádio Nacional acumulou uma galeria de troféus que evidencia a sua importância no cenário jornalístico e cultural. O mais recente deles veio no ano passado. O programa Tarde Nacional SP foi escolhido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor programa cultural de rádio de 2025.
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Saiba como sintonizar a Rádio Nacional
Brasília: FM 96,1 MHz e AM 980 Khz
Rio de Janeiro: FM 87,1 MHz e AM 1130 kHz
São Paulo: FM 87,1 MHz
Recife: FM 87,1 MHz
São Luís: FM 93,7 MHz
Amazônia: 11.780KHz e 6.180KHz OC
Alto Solimões: FM 96,1 MHz
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