O monstro-de-gila (Heloderma suspectum), um dos raros lagartos peçonhentos do mundo, desperta curiosidade não apenas por sua aparência intimidadora, mas por seu papel fundamental na medicina moderna. Nativo das regiões desérticas dos Estados Unidos e do México, o animal é conhecido por suas cores vibrantes e uma mordida que, embora dolorosa para humanos, tornou-se objeto de estudo científico de grande relevância.
A ciência por trás do veneno
Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram que a substância tóxica produzida pelas glândulas localizadas na parte inferior da boca do lagarto possui propriedades únicas. Identificou-se no veneno uma molécula que atua no organismo como um regulador da saciedade e do controle glicêmico.
Essa descoberta foi o ponto de partida para o desenvolvimento de medicamentos utilizados no tratamento da diabetes tipo 2 e, posteriormente, da obesidade. Embora as medicações atuais sejam sintéticas, elas foram criadas a partir do conhecimento científico extraído do funcionamento biológico desse réptil, que ajuda o cérebro a sinalizar a saciedade após as refeições.
Características e hábitos do réptil
O monstro-de-gila é adaptado a ambientes extremos. Com um corpo robusto que varia entre 40 e 60 centímetros, ele possui uma “armadura” natural formada por osteodermos — pequenas estruturas ósseas sob a pele que servem de proteção. Confira alguns fatos sobre a espécie:
- Habitação: Vive em tocas subterrâneas para escapar do calor intenso, saindo apenas em horários de temperaturas mais amenas.
- Sobrevivência: Possui uma cauda capaz de acumular gordura, permitindo que o animal fique meses sem se alimentar.
- Reprodução: A fêmea deposita até doze ovos, e os filhotes, que nascem totalmente formados após quatro ou cinco meses, tornam-se independentes logo que emergem.
Visitação em São Paulo
Diferente do que sugerem mitos populares, o veneno do animal só é injetado através da mordida, não sendo capaz de espirrar substâncias ou oferecer risco por meio do hálito. Para quem deseja conhecer o animal de perto, o Instituto Butantan, em São Paulo, oferece a oportunidade de observá-lo.
O espécime está exposto no Museu Biológico do instituto. A visitação pública ocorre de terça-feira a domingo, no horário das 9h às 16h45. É uma chance de observar de perto um animal que, embora pareça perigoso, tornou-se um grande aliado da saúde pública global ao inspirar terapias que salvam vidas todos os dias.
Com informações de Agência SP.

