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Santa Catarina se destaca na logística nacional de transporte de sangue raro

O Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) consolidou-se como um dos protagonistas brasileiros na rede de suporte a pacientes que dependem de transfusões de sangue raro. Entre janeiro e outubro de 2026, a instituição realizou o envio de cinco bolsas para diferentes estados, além de ter recebido quatro para atender demandas locais, mantendo o estado como referência nacional no manejo desses materiais biológicos nos últimos cinco anos.

Logística ágil garante segurança aos pacientes

Um dos diferenciais do serviço catarinense é a agilidade no transporte. Recentemente, a unidade otimizou o envio graças a um acordo entre a Agência Nacional de Aviação Comercial (Anac) e companhias aéreas. Anteriormente, as bolsas eram despachadas como carga nos porões das aeronaves. Agora, em casos de emergência, o material é transportado na cabine do piloto, mantendo a temperatura controlada entre 1ºC e 10ºC, o que garante a integridade do insumo até chegar ao destino final, como ocorreu em um caso recente com destino a Minas Gerais.

O funcionamento do Cadastro Nacional de Sangue Raro

O Hemosc integra o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR) desde sua fundação, em 2013. O sistema gerencia uma base com 2.032 doadores registrados em todo o Brasil e já beneficiou mais de 300 pacientes. Quando uma unidade de saúde solicita um tipo sanguíneo de difícil localização, o CNSR identifica o doador compatível e aciona o hemocentro responsável pela coleta.

A diretora-geral do Hemosc, Patrícia Carsten, explica que o doador de sangue raro possui uma orientação específica: “O doador de sangue raro é orientado a não doar, se não solicitarmos, para que ele esteja apto à doação no momento necessário. Sempre fazemos essa orientação e, todo ano, homenageamos esses doadores, pois são muito especiais”.

Critérios para doação e complexidade sanguínea

A raridade de um sangue é definida pela frequência de seus fenótipos na população, sendo classificado como raro quando ocorre em menos de um a cada mil indivíduos. A compatibilidade é complexa, envolvendo 49 sistemas de grupos sanguíneos e centenas de antígenos. Para os doadores, as regras seguem um cronograma rigoroso para evitar o desperdício ou a indisponibilidade:

  • Homens: podem doar a cada dois meses, com limite de quatro vezes ao ano.
  • Mulheres: podem doar a cada três meses, com limite de três vezes ao ano.

O sucesso da rede depende da responsabilidade médica em avaliar o risco-benefício em emergências, buscando sempre a maior compatibilidade possível para evitar a aloimunização — quando o sistema imunológico cria anticorpos contra o sangue recebido. Manter esse cadastro ativo e eficiente é uma missão estratégica da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e da organização social FAHECE, garantindo que pacientes, independentemente de sua localização, tenham acesso ao tratamento necessário.

Com informações de Governo de SC.