ENTRETENIMENTO

Falta de um ‘camisa 10’ ajuda a explicar fase do Vasco

O Vasco tem, ao lado do Mirassol, o time de pior desempenho em abril entre os 20 que disputam a Série A. Apesar do início animador sob o comando de Renato Gaúcho, somou três pontos nos cinco jogos disputados nos primeiros 14 dias do mês — e sem nenhuma vitória. A média de 0,6 ponto em jogos a cada três dias evidencia a limitação de um elenco que segue com as carências dos tempos de Fernando Diniz. Em especial, para ausência de um autêntico camisa 10 que lidere o time com autoridade técnica e moral. A referência que Philippe Coutinho não conseguiu ser.

Neste momento, o 13º lugar no Brasileiro, com apenas uma derrota nas sete últimas rodadas, sustenta a ilusão de que o momento do Vasco não é tão ruim quanto parece. Afinal, sob a direção do novo técnico, o time não foi derrotado como visitante e, como mandante, bateu adversários competitivos, do porte de Palmeiras, Fluminense e Grêmio. No entanto, os pontos cedidos para Remo, Botafogo, Coritiba e Cruzeiro, depois de estar à frente no placar, reavivaram falhas já conhecidas e a desanimadora falta de liderança em campo.

Se Renato Gaúcho acredita mesmo que o objetivo maior é atingir os 45 pontos ao final das 38 rodadas do Brasileiro, é bom que o chegue à 18ª (a última antes da paralisação para o Mundial) com 24 pontos. Como, atualmente, soma 13, precisa de mais 11 nos próximos sete jogos — quatro deles no Rio. E a começar pelo São Paulo, adversário de amanhã, em São Januário. Depois, visita o Corinthians, em São Paulo, e encara o Flamengo, no Maracanã. Em meio a isso, tem Paysandu, em Belém, pela Copa do Brasil, e Olímpia, no Rio, pela Sul-Americana.

Isso significa que Renato Gaúcho está correto em utilizar a competição da Conmebol para maturar os jogadores que ainda precisam de adaptação ao país, ao clube e ao futebol brasileiro. E outros, mais jovens, que não jogam com tanta frequência. No Brasil, exige-se vitórias e títulos antes da capacitação. E o Vasco precisa melhorar sua competitividade. Isso envolve preparo físico de excelência, inteligência emocional, concentração e descanso. Porque as partes técnica e tática não me parecem atrapalhar a missão de chegar entre os 16 primeiros do Campeonato Brasileiro.

Parece muito, mas não é. E talvez seja isso que Renato Gaúcho queira passar quando fala sobre o perfil dos reforços a serem tentados: veio transpiração, mas faltou inspiração.

Fonte: Extra