Durante encontro promovido pela Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, nesta sexta-feira (24/4), em Diamantina, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) anunciou a realização da pré-estreia da ópera Chica da Silva, no município.
Detalhes da produção que integra o Ano JK, programação que homenageia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, foram apresentados pelo presidente da FCS, Yuri Mello Mesquita.
“Chica da Silva é um símbolo do Tejuco, de Minas e do Brasil. É uma honra para todos e todas da Fundação Clóvis Salgado realizar esta grande ópera. Por isso, o pré-lançamento será em Diamantina, uma das cidades mais charmosas do Brasil e um dos locais mais importantes da América Portuguesa no século 18. Para entendermos a história do nosso país, precisamos conhecer Minas, Diamantina e a nossa Chica da Silva”, ressalta o presidente da FCS.
Com pré-estreia no dia 12/9, em Diamantina, e récitas nos dias 19, 21 e 23 no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a ópera remonta o Arraial do Tijuco (futura Diamantina) no século 18.
Neste cenário emerge Chica da Silva, uma mulher negra, recém liberta, que desafia as hierarquias do seu tempo ao se unir ao mais poderoso minerador da região, em uma intensa e duradoura história de amor.
Alçada a uma posição de destaque impensável para uma mulher de sua origem, Chica passa a enfrentar a inveja, a hostilidade e as armadilhas de uma sociedade de matriz portuguesa que se recusa a aceitar, em silêncio, sua ascensão — sobretudo quando se vê sozinha, após a partida de seu companheiro.
O feminino e a construção simbólica de Minas Gerais
Ao longo da manhã, os participantes do encontro também acompanharam debates importantes sobre a história e a cultura local.
O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, ministrou a palestra “A invenção do feminino: ausência de mulheres e devoção mariana na formação das cidades históricas de Minas Gerais”.
Ao refletir sobre a importância da ópera Chica da Silva, Oliveira ressaltou que o espetáculo contribui para esse debate sobre o feminino e seu lugar central na construção simbólica de Minas Gerais. Embora presentes na devoção, na arte e na vida cotidiana, nem sempre as mulheres são reconhecidas em sua dimensão histórica e social.
“Ao levar Chica à cena, a arte devolve corpo, voz, conflito e complexidade a uma figura que a memória simplificou. A ópera permite que Chica retorne não como ilustração folclórica, mas como pergunta viva sobre Minas”, analisa o secretário.
“E talvez seja essa a potência maior da arte: fazer o passado falar de novo, não para repeti-lo, mas para desestabilizar o presente. Quando Chica volta como música, drama e cena, ela nos obriga a rever a própria narrativa mineira”, complementa.
