A leitura tem um papel fundamental na vida das crianças e adolescentes. É por meio dos livros que elas descobrem novas histórias, despertam a imaginação, ampliam seus conhecimentos e aprendem a olhar o mundo de diferentes maneiras. Em alusão ao Dia Nacional do Livro, que é lembrado nesta quinta-feira (29), iniciativas da Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), integram contação de histórias na Educação Infantil e projetos literários inovadores no Ensino Fundamental, formando leitores críticos e protagonistas de suas próprias histórias.
“Na Rede Municipal de João Pessoa temos o compromisso de incentivar esse hábito desde os primeiros anos da Educação Infantil. Nossas bibliotecas e espaços de leitura nas unidades educacionais são muito importantes nesse processo, porque aproximam os estudantes dos livros e ajudam a despertar o prazer de ler. Mais do que aprender a ler, queremos que nossas crianças se apaixonem pela leitura, que tenham curiosidade, façam descobertas e desenvolvam o pensamento crítico. Como professora, acredito muito no poder transformador da educação, e incentivar a leitura é também oferecer às nossas crianças mais oportunidades de aprender, sonhar e construir o próprio futuro. Afinal, um livro pode abrir caminhos para a vida inteira”, disse a secretária de Educação da Capital, América Castro.
Desde os primeiros meses de vida, os livros, as histórias e a poesia alimentam a imaginação, fortalecem os vínculos afetivos e ampliam as possibilidades de a criança conhecer e significar o mundo. Muito antes de ler as palavras, a criança lê os gestos, os olhares, os sons e as emoções que habitam cada narrativa.
Senailde Santos de Freitas é professora há 25 anos dedicados à Educação Infantil. Atualmente professora do Ninho do Saber Roberta Vieira Batista, no bairro do Cristo, ela afirma que o livro é um elemento central e inegociável da rotina pedagógica.
“É através das histórias infantis que as crianças desenvolvem a criatividade e a oralidade. As crianças mais retraídas começam a se soltar, a trazer suas histórias de vida e do cotidiano. Quando a gente termina de ler e fecha o livro, elas já vêm correndo pegar para recontar, inventam outras histórias. É um desenvolvimento total proporcionado pelos paradidáticos que chegam nas nossas caixas literárias fornecidas pela Sedec”, relata Senailde.
A visão pedagógica é endossada pela professora doutora Maria Sonaly Machado de Lima, diretora do Departamento de Educação Infantil (DEI) da Sedec. Para ela, a literatura na primeira infância é um gesto de vínculo, afeto e descoberta.
“Garantir o encontro das crianças com a literatura é reconhecer sua potência desde o nascimento e assegurar o direito à arte, à cultura e à fantasia. Como nos inspira a professora Mônica Correia Baptista: ‘Ler para os bebês é algo na perspectiva lírica, poética do humano’. A literatura não precisa esperar a criança crescer. Ela precisa estar presente desde o começo da vida, como experiência de encantamento, formação cultural, afeto e humanização”, disse a diretora do DEI.
À medida que os estudantes avançam na trajetória escolar, os livros também acompanham esse crescimento de conhecimento dos estudantes.
Na Escola Ativa Integral (Emai) Arnaldo de Barros Moreira, no Bairro do Novais, que atende o Ensino Fundamental II (do 6º ao 9º ano), destaque para o Projeto B612, uma iniciativa que toma de empréstimo o nome do asteroide do clássico do livro ‘O Pequeno Príncipe’, para encantar e engajar os alunos.
A professora de Língua Portuguesa, Ana Paula Melo de Santana, explica a dinâmica da ação. “Os estudantes ganharam a coleção com quatro livros e o material de compreensão. O objetivo é desenvolver a leitura crítica, literária e formar cidadãos autônomos. Eles realmente se tornam protagonistas da própria história, desenvolvendo o pensamento crítico e a fluência leitora”, falou.
Colega de Rede e também professora de Língua Portuguesa da Emai Arnaldo de Barros, Luana de Oliveira Matias aponta os impactos humanos e comportamentais do projeto na rotina escolar. “O livro abre oportunidades para adquirirmos habilidades com pensamentos críticos e reflexivos. Alunos chegam para mim e dizem: ‘Tia, depois que estou tendo a oportunidade dessa leitura literária, estou conseguindo entender mais meu colega, respeitar o próximo, ter empatia’. O Projeto B612 está fazendo com que os estudantes alcancem essas valiosas habilidades socioemocionais”, relatou a professora.
O entusiasmo com a leitura se espalha pelas salas de aula, biblioteca e corredores da escola. O aluno Samuel Mikael Monteiro da Silva, do 7º ano, resume o valor do hábito. “O livro é muito importante porque é com isso que a gente consegue aprender frases, palavras novas, ter uma leitura fluente e não passar vergonha na hora de ler um texto e responder às questões da prova”, falou.
Amante de livros de aventura, Samuel carrega na bagagem escolar experiências criativas estimuladas pela Rede. Ele próprio já se arriscou na escrita, produzindo um cordel com o título ‘Cuide do Meio Ambiente’.
A Secretaria de Educação e Cultura da Capital reafirma o compromisso de transformar a leitura não apenas em um hábito escolar, mas em um direito assegurado e vivenciado por cada estudante da Rede Municipal de Ensino.
