A segurança pública e a recuperação de bens materiais ganharam um reforço importante com os resultados da iniciativa “Tá Entregue”, desenvolvida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Criado em dezembro de 2024, o projeto já contabiliza 2.241 telefones celulares recuperados em todo o estado. Desse total, 1.743 aparelhos já foram restituídos aos seus legítimos proprietários, beneficiando mais de 1,7 mil vítimas de furtos, roubos e extravios.
A perda de um telefone celular vai muito além do prejuízo financeiro. Os dispositivos modernos concentram dados sensíveis, documentos pessoais, contatos e ferramentas de trabalho utilizadas no dia a dia. Para muitos cidadãos, a restituição do bem representa o fim de uma longa espera e a retomada de informações essenciais, tornando o trabalho das forças de segurança diretamente visível e benéfico para a população.
Interiorização e expansão do atendimento
Enquanto as primeiras quatro etapas do projeto ficaram restritas a Belo Horizonte e à Região Metropolitana (RMBH), a quinta edição — realizada entre agosto e setembro de 2026 — marcou a interiorização da iniciativa. A ação estendeu-se aos 19 departamentos de Polícia Civil, alcançando 270 municípios e distritos mineiros. Essa fase contou com a participação de 74 delegacias regionais e 221 delegacias, resultando na recuperação de 456 aparelhos.
Para facilitar a devolução, a logística foi adaptada para ficar mais próxima dos cidadãos. Nesta última etapa, 323 aparelhos foram direcionados para entrega em 57 municípios, com 211 unidades já entregues. A programação prevê ainda a distribuição de mais 133 telefones em locais próximos às residências dos donos, contemplando casos em que a distância entre o local de recuperação e a moradia da vítima ultrapassa 50 quilômetros, podendo chegar a até 600 quilômetros.
Tecnologia e combate à receptação
O sucesso do projeto fundamenta-se no uso de inteligência e tecnologia, com destaque para a análise do IMEI — o número de identificação única de cada aparelho. A partir dos boletins de ocorrência, a corporação cruza dados tecnológicos para monitorar dispositivos ativos e rastrear quem está na posse deles. Quando o telefone é localizado com terceiros, é disparada uma intimação eletrônica para que o usuário compareça, apresente o equipamento e preste esclarecimentos.
De acordo com a chefe da PCMG, delegada-geral Letícia Gamboge, a estratégia une a capacidade investigativa à aproximação com a sociedade. “O Tá Entregue demonstra que, ao combinar inteligência, tecnologia e atuação policial, o projeto amplia a capacidade de recuperar bens furtados ou roubados, fortalece o enfrentamento da receptação e aproxima a Polícia Civil do cidadão, que volta a ter em mãos aquilo que já considerava perdido”, pontua.
Além de devolver o patrimônio à vítima, a diretora de Estatística e Análise Criminal da PCMG, delegada Amanda Pires, reforça que a abordagem ajuda a desmantelar a cadeia criminosa. A identificação de quem está com o aparelho subtraído gera dados vitais sobre a rota do crime, auxiliando novas investigações e combatendo o mercado ilegal de receptação em Minas Gerais.
Com informações de Agência Minas.

